Perguntas e Respostas

 

Pergunta:

Muitos japoneses ao irem ao cemitério têm o hábito de oferecer incenso, comida, flores e também “oferecer” água naquela tabuleta memorial maior fincada no chão. Está última, é um ritual budista?

Resposta:

[Rev. Wagner Haku-Shin]:

Esses são costumes que têm origem nos ritos do taoísmo popular chinês e foram incorporados no budismo popular. Essa tabuleta comprida no túmulo chama-se “Sotobá” (que na verdade significa Stupa, aquela torre que contém as relíquias do Buda), e o costume de jogar água seria para refrescar o “espírito” daqueles antepassados que ainda estão atravessando o fogo dos infernos para purificar seus pecados.
No Shinshu, não condenamos isso, mas procuramos reinterpretar. Assim, lavar o túmulo ou o sotobá é visto como uma saudação, como no Hanamatsuri em que damos o banho ritualístico no Buda criança.

 

Pergunta:

Um “costume” que as pessoas têm é de quando o caixão sai do velório e vai para o enterro é quebrar algo como copo ou prato, logo após que o caixão deixa a sala.

Resposta:

[Rev. Wagner Haku-Shin]:

Na antiguidade as pessoas eram muito pobres e cada um tinha o seu Chawan e sua xícara para chá, apenas um por pessoa. Assim, quando a pessoa morria eles colocavam um chawan com arroz, mas com apenas um hashi espetado, significando que o falecido não teria mais como comer nessa casa. Quando o caixão saía eles quebravam esse chawan ou xícara para significar que o falecido não deveria mais voltar para casa pois ali ele não tem mais lugar.
É um costume que além de ser superstição pura, oculta um sentimento cruel em relação ao falecido.

Pergunta:

Meus parentes nunca gostaram que deixasse uma colher enfincada na vertical na panela de arroz, por exemplo. Sempre falaram que isso seria um costume nos rituais fúnebres.
Nossa escola tem algo assim?

Resposta:

[Rev. Wagner Haku-Shin]:

Existe um antigo costume de, nas cerimônias fúnebres colocar-se um “chawan” (tigelinha) de arroz e fincar-se apenas um “hashi” (pauzinhos que os orientais usam para comer) na vertical. Isso é uma superstição! Significa dizer para o morto para ele não retornar à casa pois não terá mais comida para ele (pois com um hashi só não se pode comer). Mas, pelo ponto de vista do Shinshu isso é completamente inaceitável. Nossos entes queridos falecidos são vistos como seres que foram renascer no mundo da Luz e Vida Infinitas e assim apenas oferecemos os alimentos como forma de agradecer a vida que nos vivifica.

Pergunta:

Qual a visão do budismo sobre comer carnes em geral?

Respostas:
[Rev. Maurício Hondaku]:
Vegetarianismo é como opção sexual, cada uma tem um.
Buda não era vegetariano e Shinran se dizia incapaz de ser, embora reconhecesse que deveria, mas incluia a vontade de comer carne como uma de suas paixões mundanas. Assim, quem quiser come, quem não quiser não come. Se puderem não matar um ser para comer, ótimo. Se houver causas e condições para que tenhamos que matar para comer ou para alimentar um filho, que seja. Lembrem-se que esse é um tipo de karma que não nos impedirá de renascer, mas as argumentações são válidas de ambos os lados.

[Rev. Wagner Haku-Shin]:
Se quiser comer carne coma, se não quiser não coma, mas não ache que por não comer você é melhor do que quem come. Não há relação de uma coisa com outra. Pelo menos não no Budismo.

 

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